Nota da UG: Renegociação da dívida não pode enfraquecer o serviço público.

A União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública – entidade que congrega 29 associações e sindicatos do serviço público do Rio Grande do Sul – vem a público alertar que o projeto de refinanciamento da dívida pública (Projeto de Lei Complementar 257/2016) em tramitação na Câmara Federal, estabelece uma série de contrapartidas draconianas aos Estados para que seja concretizada a renegociação da dívida com a União, com medidas prejudiciais a sua autonomia e ao serviço público de todo país.

O PLP 257/2016, de autoria do Poder Executivo Federal, reedita as exigências feitas à época da negociação da dívida, em 1998, que atrelou o acordo à realização de políticas públicas de Estado mínimo, fragilizando o pacto federativo e o serviço público como as que estabelecem o congelamento de salários e da contratação de pessoal. Além disso, a proposição também determina a publicação de normas de finanças públicas, como a criação de lei de previdência complementar, o aumento das alíquotas previdenciárias para 14%, e a reforma do regime jurídico dos servidores para limitar os benefícios, as progressões e as vantagens ao que é estabelecido para os servidores da União.

Apesar da dura realidade econômica vivenciada pelo Brasil afigura-se inadmissível que um projeto de lei que trate de temas tão relevantes seja votado de forma açodada, em um momento absolutamente conturbado da política nacional, sem um amadurecimento do debate acerca da juridicidade, da viabilidade e da necessidade das mencionadas contraprestações.

A UG conclama os parlamentares gaúchos a examinar a proposição sob uma ótica da recuperação das atividades administrativas do Estado e do fortalecimento federativo, sob pena de caminharmos a passos largos para um Estado Unitário, em que o ente central detém amplo poder legislativo, orçamentário e tributário sobre os Estado e os Municípios

Porto Alegre, março de 2016.

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