Presidente e equipe diretiva do IPE Saúde participaram do encontro e apresentaram atualizações sobre o processo de credenciamento
A participação expressiva de conselheiros na reunião híbrida da União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública, realizada nesta segunda-feira (5/10), demonstrou a relevância da pauta: o Programa Mais Assistência do IPE Saúde. Na ocasião, o presidente, Paulo Rogério Silva dos Santos, e integrantes da equipe diretiva detalharam o andamento do processo de credenciamento.



O presidente da União Gaúcha, Osmar de Aguiar Pacheco (Ajuris), destacou a importância da presença dos representantes do IPE Saúde na plenária, onde o tema já foi debatido diversas vezes e as entidades filiadas compartilharam suas preocupações. Entre as reclamações frequentes dos segurados está a falta de médicos.

A assessora de Planejamento do IPE Saúde, Gabriela Flores, atualizou os dados do Programa Mais Assistência, lançado em dezembro de 2025, com mais de 10 mil vagas para preenchimento em 356 municípios gaúchos. Com uma equipe enxuta, ela explicou a demora e as dificuldades encontradas durante o cadastramento dos médicos. “Estamos desde agosto fazendo a auditoria desses dados. Agora, já estamos na fase final. Literalmente, olhamos inscrição por inscrição. Auditamos todos os documentos dos profissionais para verificar se estavam aptos a serem publicados”, comentou. Segundo ela, ainda há médicos com pendências por falta de documentos.

Prestes a completar um ano à frente do IPE Saúde, o presidente Paulo Rogério iniciou sua manifestação falando sobre os desafios de gerir a instituição: “Em termos de desafio, é a experiência mais complexa da minha vida”. Apesar das adversidades, ele prevê concluir, até o fim deste ano, as entregas em andamento, entre as quais a principal é o Programa Mais Assistência. O programa busca ampliar a rede de médicos credenciados ao IPE Saúde. Foram realizadas quase 7 mil inscrições, sendo que cada médico poderá atuar em até duas especialidades.
O presidente do IPE Saúde informou que entraves ao longo do percurso afetaram o cronograma. O processo de credenciamento médico foi prejudicado por problemas judiciais enfrentados pela Legalle, banca responsável pela seleção pública. Segundo ele, a empresa continua atuando, mas em ritmo mais lento.
Por esse motivo, uma equipe reduzida de servidores assumiu o processo e está realizando internamente a auditoria de 100% dos dados, que está em fase de conclusão. O trabalho foi necessário “após as inúmeras tentativas de ajustar as inconsistências encontradas, em torno de mais de mil”, ressaltou Gabriela Flores.
Credenciamento
A Região Funcional 6, que funciona como piloto, tem 241 postos de atendimento publicados. Do primeiro bloco de encaminhamentos para assinatura, formado por 62 profissionais, 46 já foram incluídos no site do IPE Saúde e estão aptos a prestar atendimento. Os demais têm prazo de 15 dias para resolver pendências documentais e/ou assinar o contrato.
Gabriela informou que a próxima publicação será a da Região Funcional 7. O processo deve ser mais rápido, pois as informações serão inseridas diretamente no sistema, o que não ocorreu no primeiro ciclo da seleção.
Cerca de 156 municípios não contam com médicos especialistas credenciados pelo IPE Saúde ou não registram essa demanda em razão de características locais, afirmou Paulo Rogério. “Gostaríamos de ter estrutura nos 497 municípios, mas isso é impossível”, enfatizou. De olho nos próximos ciclos, o presidente da instituição anunciou que mais de 1.500 médicos já manifestaram interesse e aguardam um segundo edital. Segundo ele, os profissionais serão avisados individualmente pelo IPE Saúde.
Arrecadação
“Temos que focar na fonte de financiamento”, ressaltou Paulo Rogério. Durante a reunião, ele apresentou dados sobre a arrecadação do IPE Saúde: receita anual de R$ 3,8 bilhões e 830 mil vidas assistidas, com predominância de pessoas na faixa dos 50 anos ou mais. O tíquete médio, participação dos segurados, é de R$ 381,00 enquanto o plano básico da principal concorrente custa entre R$ 1.330 e R$ 2 mil. “O IPE Saúde faz milagre com isso”, ponderou o presidente.
Relação entre prestadores e segurados
A secretária-geral da União Gaúcha, Kátia Terraciano (Sinapers), abordou um ponto sensível e motivo de inúmeras reclamações: a relação entre prestadores e segurados. A conselheira criticou o descumprimento da lei que prevê a existência de uma estrutura de auditoria para atender os segurados. “Isso só existe na teoria. Os relatos que recebemos são de segurados que não têm a quem recorrer, muitas vezes enquanto estão em uma emergência, sendo indevidamente cobrados. Não têm onde buscar ajuda e, quando recebem retorno, falta clareza na orientação ou a informação é insuficiente”, relatou.

A vice-presidente da União Gaúcha, Carmen Pasquali (Aprojus), reforçou o pedido para que as respostas aos segurados sejam imediatas, diante das dificuldades relatadas na relação com os prestadores. “Essa é uma pauta muito importante para a União Gaúcha. Reconhecemos a melhoria tecnológica, mas ainda não há solução para o problema no momento em que ocorre. As pessoas ficam vulneráveis e desassistidas pelo IPE Saúde”, afirmou.

Judicialização e fiscalização
Sobre esses temas, o presidente Paulo Rogério destacou os riscos a que estão sujeitos os fiscais no exercício de suas funções. “Iniciar um programa de combate quando há suspeita de fraude, com sinistralidade de 96%, é muito perigoso”, afirmou.
Para se debruçar sobre essas questões, foi instituído um Comitê Permanente de Sinistralidade.
Medicina preventiva
A diretora de Relacionamento do IPE Saúde, Djuliana Capellari, informou que o Planejamento Estratégico prevê a criação da primeira política de prevenção e promoção da saúde voltada ao público com 50 anos ou mais. Entre as ações já consolidadas, Djuliana destacou a expansão das campanhas Outubro Rosa (saiba mais) e Novembro Azul no último ano. “Fazemos uma mobilização ativa com o objetivo de ampliar esse escopo. Com a inclusão do Março Lilás, campanha de combate ao câncer do colo do útero, esperamos melhorar também”, disse a diretora de Relacionamento.

Telemedicina
Segundo Djuliana, a telemedicina também está prevista no Planejamento Estratégico do IPE Saúde. No entanto, não é uma prioridade e deverá ser tratada como uma opção para municípios sem médicos.
Ações e entregas previstas
O presidente do IPE Saúde informou que entregas importantes estão previstas para este ano. O objetivo é equilibrar a oferta de serviços, os recursos institucionais e a demanda dos prestadores. Entre as ações em andamento, estão iniciativas para ampliar a transparência, incluindo a participação da Secretaria da Fazenda e do Ministério Público. Também está prevista a contratação de uma empresa para dar suporte à auditoria, considerada ineficiente pelo presidente “devido ao número baixo de profissionais”.
O plano odontológico deve ser a próxima entrega, sinalizou Paulo Rogério. O conselho da União Gaúcha pediu a disponibilização dos projetos em andamento.
Indicações para o Conselho de Administração do IPE Saúde
Na abertura da reunião semanal, foram apresentados os nomes indicados para as vagas de titular e suplente no Conselho de Administração do IPE Saúde. O presidente Osmar propôs que os eleitos se comprometam a comparecer a todas as reuniões da União Gaúcha.
Paulo Roberto Bitencourt de Souza -Titular AFOCEFE
Danilo Krause – Titular SINTERGS
Kátia Terraciano – Titular SINAPERS
Carmen Pasquali – Suplente APROJUS
Alberto Ledur – Titular SIMPE
Alzira Aguiar – Titular CEAPE-Sindicato
Daniel Vieira – Titular APERGS
Eroni Izaias – Suplente Sindifisco RS

