Na manhã desta segunda-feira (17), após o debate com a deputada estadual Sofia Cavedon (PT), candidata à reeleição, a União Gaúcha recebeu a diretora de Relacionamento com o segurado do IPE Saúde, Djuliana Capellari e a assessora de Planejamento do Instituto, Gabriela Flores. As representantes apresentaram o Relatório de Gestão do IPE Saúde referente ao exercício de 2025.
A reunião serviu para atualizar as entidades sobre a situação financeira do instituto, as mudanças implementadas nos últimos anos e os principais desafios que ainda pressionam a assistência à saúde dos servidores públicos estaduais, aposentados e pensionistas.
De acordo com os dados apresentados, o IPE Saúde consolidou, em 2025, uma trajetória de recuperação do equilíbrio financeiro, depois de um período marcado por dificuldades de custeio e conflitos relacionados à manutenção do atendimento em hospitais e clínicas credenciados.
Revisão de normas e tabelas
O processo de reorganização começou a ganhar forma em 2024, com a revisão de normativas e tabelas de remuneração. Naquele ano, foram editadas as Instruções Normativas nº 01 a 06/2024, que estabeleceram novas referências para medicamentos, taxas e diárias.
Em 2025, essas alterações passaram por uma etapa de consolidação jurídica. Foram firmados acordos judiciais com 15 hospitais e com a Santa Casa, formalizando a aplicação das novas tabelas e reduzindo a instabilidade que vinha afetando a relação entre o instituto e a rede prestadora.
A União Gaúcha teve intensa participação nesse processo de negociação. No início de 2024, a entidade ingressou com medida judicial para assegurar a continuidade do atendimento aos usuários do IPE Saúde, diante da recusa de hospitais em receber pacientes do sistema de saúde do Estado.
A liminar obtida pela entidade foi considerada estratégica para preservar o acesso dos segurados à assistência médica enquanto prosseguiam as negociações. Mais do que uma disputa administrativa ou contratual, o episódio expôs a insegurança vivida por milhares de usuários, que chegaram a temer a interrupção de consultas, exames, internações e procedimentos.
A entidade mantém, entre suas principais pautas, o acompanhamento permanente do IPE Saúde e a cobrança por atendimento regular, sustentabilidade financeira e respeito aos direitos dos segurados.
De acordo com o presidente da União Gaúcha, Osmar Pacheco (Ajuris), os novos servidores públicos de várias carreiras não aderem ao IPE Saúde. Em cima dessa leitura, questionou se o IPE Saúde dispões de estudo quantitativo dos novos servidores públicos que ingressam no plano. Djuliana Cappelari respondeu que não há, e que só dispõem de indicador de permanência no plano. “Nós temos uma dificuldade de mapear muito grande. Nós precisamos desses dados para o nosso planejamento estratégico. Temos preocupação com as novas adesões e com a perenidade do plano, considerando a velhice dos segurados”, esclareceu Osmar Pacheco. Outra questão levantada pelos conselheiros, é a inexistência de uma ouvidoria interna. “A ouvidoria hoje é privada, e nós queremos o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do IPE Saúde, defendeu o diretor da UG.
Novo modelo de credenciamento
Outro ponto apresentado foi a mudança no modelo de credenciamento da rede prestadora. A partir de 2025, o instituto passou a adotar o sistema de chamamento público, por meio de editais. Com o lançamento do programa MaisAssistência, estruturado em três eixos: mais Médicos, mais Modernização e mais Conformidade. A proposta reúne ações voltadas à ampliação da rede, à atualização dos processos de atendimento e ao aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e gestão. A implementação também foi uma reivindicação da União Gaúcha que acompanhou de perto o processo.
Receita cresce e superávit avança
Os números financeiros apresentados indicam melhora nos resultados do instituto. A receita orçamentária cresceu 19,83% entre 2023 e 2025 e 4,44% entre 2024 e 2025.
No mesmo período, a despesa orçamentária aumentou 11,85% entre 2023 e 2025, mas registrou uma redução de 0,62% na comparação entre 2024 e 2025.
O resultado mais expressivo foi registrado no superávit. Entre 2023 e 2025, o crescimento chegou a 445,85%. Na comparação entre 2024 e 2025, o avanço foi de 135,54%.
Apesar dos indicadores positivos, a apresentação ressaltou que o equilíbrio financeiro não elimina a necessidade de acompanhamento permanente. A sustentabilidade do IPE Saúde depende da capacidade de manter a arrecadação, controlar despesas, qualificar a rede credenciada e assegurar atendimento adequado aos usuários.
Judicialização continua sendo ponto de atenção
A quantidade de ações judiciais foi apontada como um dos principais desafios do instituto. Os dados mostram uma evolução preocupante no número de processos: foram 2.301 em 2023, 3.587 em 2024 e 4.220 em 2025.
Segundo Gabriela Flores, a maior parte das demandas está relacionada ao fornecimento de medicamentos e à realização de tratamentos de alto custo. A judicialização, além de pressionar o orçamento, revela dificuldades no acesso regular a determinados serviços e terapias.
Para a União Gaúcha, o enfrentamento desse problema exige diálogo permanente com os segurados, entidades representativas, profissionais da saúde e gestores públicos.
A próxima reunião da União Gaúcha acontecerá na sexta-feira, 21, com debate com a candidata ao governo do Estado, Juliana Brizola (PDT), às 14h30, de forma híbrida.
Foto: Elisa Dorigon
Texto: Gilvânia Banker

